31 de outubro de 2008

O Poeteiro II - Auto-Definição

Sem regras nem medidas
com palavras escritas e escondidas.
Verbalizo idéia ou fantasia
que as pessoas chamam poesia.

Disfarço me de mim,
fingindo que não estou
nem assado nem assim,
mas na essência é o que sou.

Talvez você não entenda,
nem tampouco compreenda,
mas o importante é a mensagem
e mais ainda, da mente, a viagem.

Um título me afeta
já que de palavras sou porteiro
portanto não um poeta,
mas simplesmente um "poeteiro".

20 de outubro de 2008

O Poeteiro I

Um dia ele se deu conta de como era vigarice de sua parte quando aceitava chamarem-no "poeta".
"Poeta não, no máximo poeteiro" passou a ponderar. Mesmo lembrando que tudo havia começado numa ejaculação palavrática de seus pensamentos e ainda que, quando o gozo vinha, sempre que se punha a (d)escrever poeticamente esses momentos. "Momentos", aliás, era a nomeação de sua primeira estréia. Em sua última estréia, na consciência plena de ser o vencedor dentre 500 megabytes de informação genética, invocou algumas de suas predileções, esclarecendo de uma vez por todas a sua opção carpe diem de viver.
Obviamente, assim como você agoramente, as pessoas questionavam-no "Mas poeteiro??? Que isso quer dizer, afinal?". "É isso mesmo que você pensou...", "Eu não pensei em nada" - é, alguns são cínicos mesmo, ué, que se pode fazer? - "o poeta é um conhecedor da língua, da gramática, eu, um poeteiro, conheço o prazer que ela proporciona." Para que fique claro: nem todo poeta é poeteiro, mas todo poeteiro um dia pode vir a ser poeta.

3 de outubro de 2008

De outra vez ele a descobriu companheira - lhe fazia compania, com pão ia sempre ao seu encontro - e camarada - em toda cumplicidade de dividir uma mesma cama.
Em tempos modernos essa parceria tinha tudo pra virar amor. Virou. Vira. Virará.
Um pião que não para de girar.

12 de setembro de 2008

Um dia transpirando, percebeu como as sensações vitais o deixavam pirado em dias como aquele.
E então ele foi e expirou sua inspiração transpirada pro papel e aconteceu o poema.

4 de setembro de 2008

Graça de Graça

Recebe de graça
dEle, a Graça
que é dada a quem quiser
sem peso, nem medidas,
que cura o que se propuser
a se libertar de suas feridas.

Recebe de graça
dEle, a Graça,
recebe com fé e esperança,
acreditando de verdade,
com toda confiança
e abraçando a Liberdade.

Recebe de graça
dEle, a Graça
que não é minha
nem é sua,
mas de todo o que caminha
na misericórdia Tua.