
Se conheceram assim, sem mais nem menos, tinha tudo para ser comum, mas foi especial demais pra isso.
Ele a encontrou como muitos faziam todos os dias. Ela o procurou como todos faziam, sempre. Foi um encontro costumeiro, com palavras habituais e uma curiosidade natural de recém conhecidos.
À medida em que mais sabiam um do outro, mais a curiosidade aumentava, mas ainda sem mais nem menos, mas por muito menos do que imaginavam se afinizaram mais do que esperavam e com essa afinidade toda veio também o medo, o receio de gostar mais do que se deve.
Ela tinha medo apenas do sentimento, pois apesar de saber das delícias de uma paixão preferia se prevenir dos males que poderiam ser causados.
Ele alegava a distância e a lembrança que tinha de um desafeto passado numa situação semelhante.
E toda cautela, todo receio, nada, nada foi capaz de frear o que já estava reservado aos dois. A afinidade era maior que tudo isso. Não só afinidades os fez sentirem vontades.
Foi então que ela deu-se o direito de não escolher os sentimentos e esta sua opção de não optar, permitiu que ele entrasse no coração: primeiro o dele, em seguida, o dela.
Foi então que ele deu-se o prazer de afundar na história à medida em que os fatos desenrolavam-se, permitiu que ela entrasse no coração: primeiro o dela, em seguida, o dele.
Foi então que em 13 dias ele a adorava e ela já havia perdido o controle dos seus pensamentos, que só queriam pensar nele, e o medo foi embora. Era a afundar afundando a fundo. Era a escolha de escolher não escolher. Os corações escolheram por eles, junto com o destino, a sorte e a magia que os unia. Mesmo longe fisicamente, estavam juntos no pensamento. Mesmo com os quase um milhão de metros de distância separando seus corpos, descobriram, assim mesmo, sempre juntos, que nas palavras não ditas moravam palavras, silêncios, palavras silenciosas e silêncios palavreados e nesse mistério de se ouvirem sempre, se ouviram, se envolveram, se juntaram, se abraçaram, se sentiram. Mesmo sem nunca terem se tocado, já tinham alcançado o coração. Mesmo sem se ver, já se conheciam mais do que parecia.
Quando perceberam onde estavam, haviam chegado num caminho sem volta - eles não queriam voltar. Não dava mais pra voltar e mais: parar de caminhar não fazia parte da natureza deles. E a vontade de continuar caminhando foi maior que tudo e a vontade de estar perto foi maior que tudo, até mesmo que a distância.
“- Eu vou aí te encontrar.”
E tudo mudou de proporção.
*Sincronicidade costurada com
Ray.