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22 de março de 2010

Cadê você, Inspiração?

Eu já falei sobre isso algumas vezes aqui mesmo, mas serei repetitivo.
Na verdade, esse é um truque: não tenho nada pra dizer, eu deveria ficar quieto então, mas ao mesmo tempo, a multidão dentro de mim clama por minhas palavras! Ehehe
A verdade é que fazer uma postagem como essa, alegando falta de inspiração é uma sacanagem. Falta de inspiração eu deveria substituir por falta de vergonha na cara, porque...

A verdade é que a todo momento

Na cabeça surge novo pensamento

A palavra angustiada grita sofrida

Implorando pra ganhar vida

No momento em que surge a idéia

O pensamento ergue-se em prosopopéia

Porém a liberdade da palavra não acontece

Porque a preguiça levanta, se agigantece.


Deusquemeperdoe!

É nisso que dá querer escrever sem inspiração...


10 de abril de 2008

O encontro III - Como ela me contou

"
Durante todo o caminho para a casa nossas mãos permaneceram abraçadas. No fundo, a vontade era bem mais ousada que um singelo dar as mãos; no mínimo, congelar os nossos corpos num quente abraço, afundar meus dedos em seus cabelos e me embriagar com seu cheiro era o que eu queria. Mas a ousadia não passou de carinhos entre os dedos polegares, nem mesmo enquanto subíamos pelo elevador, sozinhos.

"Enfim a sós"!

Éramos somente sorrisos e vontades que cresciam a cada toque, a cada olhar. E ele foi se aproximando, e o sorriso se desfazendo, e ele se aproximando, as mãos se unindo outra vez, e ele se aproximando mais, e os olhos se fechando, e então os lábios se juntaram e as línguas se enrolaram enquanto eu afundava meus dedos em seus cabelos e me embriagava nesse beijo que começou pequeno e delicado, mas foi crescendo, crescendo, crescendo e já não cabia mais na boca.
Como ele mesmo me disse:

"Os corpos se unindo
Os desejos se fundindo
Os líquidos se fluindo
Os amores se existindo"
"

6 de março de 2008

O encontro II - dos corpos ou "Abraço de Urso" (nas palavras dele)

'Eu vou te ver'
Pura adrenalina
Senti-me vela
Derreti parafina
de suor
emoção maior
comprar passagem
ajuda com hotel
pensamento-carretel...

Fantasmas se achegaram
mas logo se espantaram
com tanto entusiasmo
com que os encarei
na coragem-orgasmo
facinho os expulsei.

O momento era meu
o sorriso era seu (também)
mas só naquela exata hora
só naquele exato agora
que depois de (a)pagado
foi muito comemorado
e a história de ti e de mim
virava momento meu e teu
virava momento nosso sim
apesar que não sabia eu
nem tu
mas já era, antes de ser

Passou dias, horas, minutos
metastases, pensamentos muitos
muitos mesmo, mas eram só
logo viraram pó
já dentro do voante
viraram num instante
euforia
alegria
esperança
presença

Nos presentes
nós presentes
naquele abraço
coração-e-laço
eu em ti, tu em mim
abraço sem fim
sorriso assim
feliz que creu em mim
'eu vim, eu vim, eu vim...'

20 de janeiro de 2008

O Encontro I - das almas


Se conheceram assim, sem mais nem menos, tinha tudo para ser comum, mas foi especial demais pra isso.
Ele a encontrou como muitos faziam todos os dias. Ela o procurou como todos faziam, sempre. Foi um encontro costumeiro, com palavras habituais e uma curiosidade natural de recém conhecidos.
À medida em que mais sabiam um do outro, mais a curiosidade aumentava, mas ainda sem mais nem menos, mas por muito menos do que imaginavam se afinizaram mais do que esperavam e com essa afinidade toda veio também o medo, o receio de gostar mais do que se deve.
Ela tinha medo apenas do sentimento, pois apesar de saber das delícias de uma paixão preferia se prevenir dos males que poderiam ser causados.
Ele alegava a distância e a lembrança que tinha de um desafeto passado numa situação semelhante.
E toda cautela, todo receio, nada, nada foi capaz de frear o que já estava reservado aos dois. A afinidade era maior que tudo isso. Não só afinidades os fez sentirem vontades.
Foi então que ela deu-se o direito de não escolher os sentimentos e esta sua opção de não optar, permitiu que ele entrasse no coração: primeiro o dele, em seguida, o dela.
Foi então que ele deu-se o prazer de afundar na história à medida em que os fatos desenrolavam-se, permitiu que ela entrasse no coração: primeiro o dela, em seguida, o dele.
Foi então que em 13 dias ele a adorava e ela já havia perdido o controle dos seus pensamentos, que só queriam pensar nele, e o medo foi embora. Era a afundar afundando a fundo. Era a escolha de escolher não escolher. Os corações escolheram por eles, junto com o destino, a sorte e a magia que os unia. Mesmo longe fisicamente, estavam juntos no pensamento. Mesmo com os quase um milhão de metros de distância separando seus corpos, descobriram, assim mesmo, sempre juntos, que nas palavras não ditas moravam palavras, silêncios, palavras silenciosas e silêncios palavreados e nesse mistério de se ouvirem sempre, se ouviram, se envolveram, se juntaram, se abraçaram, se sentiram. Mesmo sem nunca terem se tocado, já tinham alcançado o coração. Mesmo sem se ver, já se conheciam mais do que parecia.
Quando perceberam onde estavam, haviam chegado num caminho sem volta - eles não queriam voltar. Não dava mais pra voltar e mais: parar de caminhar não fazia parte da natureza deles. E a vontade de continuar caminhando foi maior que tudo e a vontade de estar perto foi maior que tudo, até mesmo que a distância.
“- Eu vou aí te encontrar.”
E tudo mudou de proporção.

*Sincronicidade costurada com Ray.