Eu fico imaginando e recordando os momentos com ela nesse trem...
Lembro-me dela sentada à janela, vidros fechados se protegendo dos ventos, com os raios de sol atravessando os vidros ressaltando seu brilho natural e acalentando-a. O sol bate em seu rosto com a leveza de um beijo apaixonado e seu olhar permanece voltado para fora, mirando a bela paisagem que complementa o trio que sua beleza junto ao sol faz com a paisagem.
Infelizmente não realizo a viagem sentando a seu lado. Porém toda vez que passava por ela – muitas vezes eu inventava as mais esfarrapadas motivações pra isso! – ela levantava o olhar, voltando-se para mim, fazia aba com as mãos para anular a dilatação das pupilas e me enxergar nitidamente e dirigir um singelo sorriso, ao que eu correspondia entusiasmadamente como um homem feito que teve seu coração massageado até voltar a ser menino.
Recordo-me ainda das raras situações em que o assento ao seu lado encontrou-se vago por um instante e pude aproveitar um momentinho até que o ocupante original voltasse – ah! Se ela soubesse como eu, pela primeira vez na vida, desejei ardentemente ser original... Me lembro exatamente de seu olhar penetrando bem fundo na minha alma numa dessas ocasiões. Foi um olhar de tanto teor sincero e bem querência que cheguei a ter certeza que seria o mesmo depois de muitos anos. Não com o mesmo rosto, pois o tempo tentaria desmarcar sua beleza – e apenas tentaria mesmo, pois sua beleza naturalmente é vinda de dentro pra fora. Toda vez em que eu passava, era sempre esse mesmo olhar que ela me dirigia!
Essas recordações, vivas que estão, me questionam e motivam sempre a buscar o olhar daquela mulher de quem sei bem o nome e identidade, só não soube como conhecer sua essência. Talvez esse seja o maior motivo de hoje eu não saber bem como vai a viagem dela. Sim, porque já faz um tempo que não a vejo e sem avistá-la sei que houve mudanças, mas não sei se foi de assento, de vagão ou mesmo de trem.
Não, isso não me entristece, mas sinto falta de seu olhar encontrando o meu, sinto falta daquela explosão que era meu sorriso de quando meus olhos encontravam o que o coração procurava...
* Qualquer coincidência é mera semelhança।* Intertexto baseado na última postagem, conforme prometido.
पाज़ ए अमोर
4 comentários:
Não vou mentir, não li o texto, mas vi as poesias no portal das vargens, é meu lugar.
Voltarei pra ler depois.
Bjs
Eu não se comento sobre o conto ou sobre sua apresentação pessoal.
Seu texto é leve, não dá vontade de parar de ler. É "familiar", não tem como não se identificar com alguma parte escrita (ah! esse negócio de levantar só para passar pela pessoa... eu bem sei... rsrs).
E seu perfil...
Sabia que Leão é paraíso astral de Áries? (ou vice-versa, agora tô na dúvida... rsrs)
Um abraço, Leo...
Loguim eu volto pra ler mais d'ocê!
:D
"putz... faz muito sentido mesmo, mas tô achando que numa dessas meu ascendente é mais forte... "
Ain, por quê?
rsrs
(usando o blogger como bate-papo.. rsrs)
Adicionado e esperado com ansiedade.
rsrs
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